Existe sempre alguma coisa que tornará você uma pessoa única neste mundo.
Por mais desprovido de beleza, cultura e educação que uma pessoa possa ser,
sempre haverá pelo menos um dom natural nela que despontará. Seja para o bem ou
utilizado para o mal, mas sempre existe.
Na parábola dos talentos, nós podemos observar que o Senhor distribuiu os
talentos conforme a capacidade, e por mais incapaz e infiel que um de seus
servos pudesse ser, o Senhor confia-lhe pelo menos um talento, para que ele pudesse
granjear outros (Mt 25:14-30).
Infelizmente nos dias de hoje, muitas são as pessoas que simplesmente
ignoram aquilo que Deus lhes deu e ficam sonhando com o talento dos outros. Não
entendem o mistério do “utilizar o seu talento para conquistar outro”. Isso é
algo que acompanha o ser humano desde a sua infância. Os brinquedos que quando crianças tínhamos em mãos, por mais sofisticados que pudessem ser, perdiam a graça rapidamente
diante da empolgação do outro que detinha um brinquedo, muitas vezes, até mais
simples. É um processo inconsciente, mas o que ocorre é que, como buscamos
sempre o prazer em tudo o que fazemos, ao presenciarmos alguém vivendo este
prazer, atribuímos rapidamente isto a alguma coisa que esta pessoa possui e que
nos falta no momento. Não nos ocorre que a felicidade não está vinculada ao que
se tem, mas a quem se é. Diante da minha declaração algum leitor pode se opor
dizendo:
- Não concordo, pois a felicidade está ligada sim ao que se tem, pois se
tenho Jesus, sou feliz!
Pois bem. Quando analisamos a parábola dos talentos percebemos que todos
os três eram servos do mesmo Senhor, ou seja, todos tinham o mesmo mestre, no
entanto um deles não era feliz a ponto de motivar-se com o seu talento. Podemos
ter Jesus e não ter felicidade, se não soubermos usufruir deste benefício. E o
pior de tudo é que cada vez que queremos algo que não nos pertence, precisamos
abdicar de algo que temos, e geralmente quando queremos reaver não o
encontramos mais. É o caso do Jardim do Éden. Adão e Eva tinham um lindo jardim
e a presença de Deus. Mas queriam a árvore e o conhecimento. Comeram da árvore
e perderam o jardim e a presença de Deus (Gn 3:23).
O brinquedo do outro só é interessante enquanto está nas mãos do outro,
pois, quando vier para as minhas mãos, perderá o brilho.
Quantas pessoas nos dias de hoje invejam o casamento de outras, e até
fazem de tudo para conseguir aproximar-se daquele “brinquedo interessante”. Mas
quando o tem nas mãos, percebem que continuam vazias, porque o segredo não está
no brinquedo e sim em como se brinca.
A questão aqui é perceber em você qual o dom natural que lhe desponta e partindo deste ir em busca de seus sonhos. Sua garra fará com que consiga granjear outros dons, pois nunca saímos ilesos dos contatos que temos com outras pessoas, e conquistando o homem torna-se completo, pois nossa programação original era de dominadores segundo Genesis 1:26.
Liçoes finais: o que você possui esta diretamente de acordo com sua capacidade atual, mas isso não significa que essa capacidade não possa ser expandida. Vá além, e enquanto isso, contente-se com o seu brinquedo.
